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As pupilas dilatadas pelo amor humano

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Categoria: Reflexão
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 As pupilas dilatadas pelo amor humano



Há algum tempo, li não sei onde um episódio ocorrido com uma escritora que foi passar dois meses numa região montanhosa de um país europeu, num período do ano em que era freqüente acontecerem grandes tempestades; ia com o propósito de conhecer os costumes da gente do campo e colher assim material para um romance.
Quando estava desfazendo as malas no pequeno chalé que alugara, com a ajuda da caseira que morava perto dali, desabou um grande temporal e as luzes se apagaram. A caseira acendeu umas velas e, enquanto atiçava o fogo na lareira, bateram à porta. Era um rapazinho de uns doze anos, conhecido da caseira. Depois de recuperar o fôlego, o menino disse:
- Vim ver se está tudo bem com a senhora.
A caseira agradeceu e apresentou-o à escritora. Como a ventania aumentasse e a chuva caísse com mais força, o rapaz perguntou à recém-chegada:
- A senhora não tem medo?
A escritora ia dizer que não, mas a caseira, que evidentemente não estava nem um pouco assustada, atalhou-a:
- É claro que ela estava morrendo de medo, assim como eu. Mas agora temos um homem aqui, e tudo vai ficar bem.
Quando a tormenta passou, o menino despediu-se e saiu, capengando do modo mais garboso que podia.
A escritora ficou pensativa e perguntou-se: "Por que não me ocorreu responder à pergunta do menino como a caseira?" E evocou tantas situações da sua vida em que se mostrara pouco sensível às necessidades dos outros por estar absorvida nas suas coisas. "Que havia naquela mulher simples do campo - continuou a pensar - que a tornava capaz de transformar um menino aleijado num homem confiante?" E teve de reconhecer: simples detalhes de gentileza e afeto.
Pois é precisamente no convívio com as outras pessoas que a atenção para os detalhes se reveste de um significado especial. Merece até um nome particular: delicadeza, que reclama uma grande diligência e grandeza de alma. É ela que permeia todas as virtudes próprias da convivência, como a cordialidade, a afabilidade, o acolhimento, o perdão, a paciência, enfim, a caridade. Manifesta-se principalmente, em palavras de Machado de Assis, "nesse desejo de bem servir que é a alma de toda a cortesia". Nunca deveria dar-se motivo para o comentário cético daquele que dizia que o lar é o centro geométrico das grandes dedicações e das pequenas desatenções.
Mas trata-se de exercitar a "arte de ser amável" não apenas no sentido ativo, mas também no sentido passivo, isto é, facilitando aos outros que nos queiram bem. Quando penso nisto, lembro-me sempre de um cantor nacional que, há uns trinta anos, fazia um programa de TV com muito sucesso e que, no fim de cada apresentação, se despedia com as mesmas palavras: "Continuem a querer-me bem, que não custa nada". É isso o que quero dizer com ser amável no sentido passivo: que, pela nossa gentileza, não custe aos outros nada ou quase nada querer-nos bem.
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Publicação:2009-03-13
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