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Pai: Defeito de fabricação

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Pai: Defeito de fabricação

Falar de pai é muito fácil, principalmente quando se lhe apontam defeitos. Aliás, falar dos erros dos pais é como atirar a primeira pedra com todos os pecados, porque há um esquecimento geral dos cometidos por terceiros na hora da inquisição.
Minha tarefa de pai não consiste apenas na reprodução, ou nos cuidados compartilhados com a mãezinha querida. Vai mais além. Não tenho como recordar dos momentos que me antecederam os primeiros passos, tampouco os olhares e cuidados que me acobertaram o sono de criança, mas alguém me disse em alto e bom som que precisei de ajuda. Alguém chorou comigo ou talvez por mim, pela minha dor, pelo estômago vazio e faminto; alguém pagou por isso, e me auxiliou quando precisei respirar, quando me entalei, quando me lambuzei. Alguém secou-me as lágrimas, carregou-me no colo, ensinou-me as primeiras palavras, alguém, figura de pai ou de mãe, numa verdadeira batalha em prol da minha sobrevivência. Eu não me recordo mesmo de nada, mas tenho convicção que um dia, como todas as crianças, fui amparado e salvo, e estou aqui, vendo o tempo passar.
Por sinal, o tempo tem passado tão rápido que me vejo filho crescido e pai. Decerto, o bom pai já não é mais aquele de antigamente. Deve ser mais completo hoje em dia, um top de linha. Embora venha mesmo equipado, ainda assim faltará algo para os olhos exigentes dos filhos e deboches da juventude. E nesse avanço tecnológico os pais vão ficando para trás, e não podem correr ante o reumatismo, o disparo do coração, a miopia, as veias lentas, as dores, o cansaço, o suor, a aposentadoria, a velhice chegando e dizendo que o podium já não lhe pertence. Tem que se acostumar a ser o último para tudo, para depois do almoço almoçar, para depois da diversão, dormir, para depois do amor, chorar.
Não se precisa de muito para saber o que se passa hoje na cabeça de muitos filhos. A grande maioria quer ver o pai, mas longe ou pelas costas, por vergonha, pela simplicidade que ele tem no vestir, pelo bom perfume que não usa, pela moda que já não lhe cabe, pela chatice de andar devagar ao lado de um bom velhinho a passos lentos. Ser pai após a maturidade é saber envelhecer num campo de concentração na própria moradia, onde se lhe editam regras, onde se tomam medicamentos contra a vontade, num regresso à infância perdida, bem pertinho dos quartos dos filhos, dos carros que nunca teve o prazer de andar, nos programas de televisão que não compreende, nos jogos que não tem mais graça, na música que não toca mais a mensagem pura e simples.
Ser pai hoje em dia é ter o prazer de edificar uma vida, mas é ao mesmo tempo se encher de incerteza quando da criação e crescimento de um filho. Tem filhos que cobram para obedecer e para comprar um presente para o pai. Ele paga para ganhar. Poucos não conseguem um tempo para seus idosos. Estão sempre apressados, ocupados, procurando qualificação, qualidade de vida, numa concorrência desumana neste mundo ingrato, onde se vale pelo que tem. Não se pensa e nem se leva a sério a saúde. E como o pai aos poucos perde o suor e o sangue, vai ficando esquecido nalgum quarto escuro, numa casa vazia no fundo de um quintal, cuidando de galinhas ou de plantas, ou num asilo, pois é bom que não comprometa e não os encha de vergonha. Quem tem saber, necessita de provas e títulos, para ser um mestre, um doutor, PHD, menos um ser humanos simples que tem pai e mãe, servindo de babá para por mingau na boca de bebês septuagenários e senis. A palavra pai é tão cheia de incertezas e de falsidade hoje em dia, que o amor vem recheado de dor e revolta.
Não sabemos o que nos acontecerá a poucos segundos ou minutos de nossas vidas, se nossos filhos vão nos tratar da mesma maneira que muitos tratam seus pais, ou se algum anjo nos resgate aos braços de Quem nos ama verdadeiramente, mas não devemos adiar para depois o que podemos fazer agora mesmo com os nossos velhinhos: amá-los de verdade aqui na terra. Nossa criação e nossos filhos estão mudados, e a vida tem mostrado os caminhos que trilhamos, e quiçá envelheçamos com a dignidade de um herói, sem as dores do desprezo e da falsidade que maltratam o coração e a alma de um pai, mesmo estando rodeado de filhos queridos, que foram carregados nos braços, que foram amados, beijados e tratados como doces criaturas. Bom seria se lhes fosse feito o mesmo.

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Publicação:2008-08-06
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